A Modista do Desterro – Pauline Kisner

Um vestido de noiva de 1887

Apesar da tradição inaugurada pela Rainha Vitória, nem todo vestido de noiva vitoriano era, necessariamente, branco. Seja por questões morais ou econômicas, muitas mulheres escolhiam cores diferentes para o casamento. Tons de champagne foram bastante populares, mas cores escuras também aparecem em vestidos de noiva que pertencem a acervos de museus do mundo todo.

Um dos principais motivos para a escolha de um vestido de noiva não-branco era, possivelmente, a praticidade. Um vestido branco era difícil e caro de manter, e a cor não era considerada adequada para mulheres que não fossem jovens. Um vestido de outra cor poderia ser reutilizado em diferentes ocasiões e reformado de acordo com as mudanças da moda com muito mais facilidade. Noivas mais velhas, que geralmente optavam por casamentos mais discretos, também eram conhecidas por trocar o vestido de noiva branco por algo mais sóbrio.

Louise Whitfield era filha de um proeminente comerciante de Nova York e já tinha 30 anos quando se casou com Andrew Carnegie, magnata, filantropo e um dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Ele era 21 anos mais velho do que Louise. O casal disse sim às 8h da manhã de 22 de abril de 1887, numa cerimônia privada e discreta na mansão dos pais da noiva. Para o casamento, Louise escolheu um vestido de noiva pouco usual e aparentemente simples, mas adequado tanto à sua idade quanto à sua posição social. No lugar de um vestido de gala, a futura Sra. Carnegie escolheu um traje de viagem em lã cinza, com detalhes em rendas:

vestido de noiva vitoriano

O traje completo consiste em uma saia, dois corpetes diurnos, um jogo extra de colarinho + punhos e dois plastrons (peitilhos de renda). É um típico traje da Segunda Era Bustle, com todos os drapeados característicos desse período. Agora vamos aos detalhes desse vestido de noiva tão incomum!

Corpete Cuirasse

O vestido usado na cerimônia tinha um corpete cuirasse – um modelo bastante ajustado ao corpo, que se estendia até a ponta do quadril na frente – com peitilho de renda removível, o plastron. O corpete tem uma gola alta com apliques em renda e detalhes em renda também no punho:

vestido de noiva vitoriano
vestido de noiva vitoriano
vestido de noiva vitoriano
vestido de noiva vitoriano
Detalhe das pregas traseiras do corpete

O conjunto vem com um plastron extra, com a renda montada em fundo vermelho. De acordo com as informações do Museu Metropolitano de Nova York, que tem a guarda da peças, essa opção vermelha seria para dar um ar mais formal ao conjunto:

vestido de noiva vitoriano

E ainda vem com punhos extras para fechar a combinação:

vestido de noiva vitoriano
http://www.metmuseum.org/art/collection/search/81137

A Saia

A saia tem todas as características básicas dos modelos pós-1885: frente reta com drapeado assimétrico e poucos detalhes, costas com drapeados detalhados sobre uma anquinha:

O corpete de viagem

Na mesma noite, o casal Carnegie embarcou no navio a vapor “Fulda” com destino à Europa, para passar a lua-de-mel na Inglaterra e Escócia, terra natal de Andrew Carnegie. Para a viagem, Louise utilizou a versão de viagem do seu traje:

vestido de noiva vitoriano
http://www.metmuseum.org/art/collection/search/81137

Além de ter um corpete mais longo, a versão de viagem tinha um terceiro plastron, preso com ganchos sobre a frente do corpete:

vestido de noiva vitoriano

vestido de noiva vitoriano

Um pouco mais sobre Louise

Durante os anos de casamento com Louise, Andre Carnegie se tornou o homem mais risco do mundo. A uma certa altura da vida, Louise aconselhou o marido a se dedicar um pouco mais a ajudar os outros do que a acumular dinheiro. Uma das várias linhas de ação filantrópica do casal incluía o financiamento para a instalação de bibliotecas públicas. Entre 1883 e 1919, o casal Carnegie financiou a construção de mais de 2.500 bibliotecas nos Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Sérvia, Caribe e Fiji. A primeira delas foi construída na Escócia. Na entrada de cada biblioteca, foi entalhado na porta o seguinte lema: “Faça-se a Luz”.

Após a morte do marido, em 1919, Louise deu continuidade ao trabalho filantrópico, contribuindo ativamente com a Cruz Vermelha e com os esforços e fundos de pensão para veteranos da Segunda Guerra Mundial. Louise Whitfield Carnegie morreu em 1946, aos 89 anos. Em 1968, o vestido desse post foi doado ao Museu Metropolitano de Nova York, onde permanece preservado.

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