A Modista do Desterro – Pauline Kisner

Séries e Filmes de Época: Top 10 figurinos favoritos

Volta e meia o tema das séries de época com bons figurinos acaba aparecendo no Ateliê da História, tanto no grupo do Facebook quanto no grupo do Whatsapp. Então resolvi fazer um post aqui no blog com o meu top 10 de figurinos em produções de época.

1. Norte & Sul (2004)

A adaptação do livro de Elizabeth Gaskell tem um lugar especial no meu coração. Além de ser uma história pela qual tenho muito carinho, a produção soube usar e abusar do figurino do período 1840-1850, uma coisa que nem todos os figurinistas conseguem (vide esse último “Madame Bovary” horrroroso!). Você vê nitidamente diferenças sociais, regionais e até morais entre os personagens sendo refletidas nas roupas e acessórios, além de uma escolha muita feliz na paleta de cores e na estamparia usada. Um dos melhores exemplares de figurinos midvictorian!

2. The Alienist (2017)

Eu já falei tanto sobre essa série no meu instagram que vocês já devem estar enjoados, mas… “The Alienist” tem os melhores figurinos 1890 até os dias atuais, e olha que “The Crimson Peak” também fez um trabalho excepcional, mesmo com todas as licenças criativas do figurino. Minha única ressalva é uma cena em que a Dakota Fanning usa o corset direto na pele, sem chemise, mas aquilo era necessário por uma questão de manter a sequência narrativa. Não tem absolutamente nada nessa série que eu não ame, até as mortes mais chocantes.

3. Alias Grace (2017)

Baseada num romance de Margaret Atwood (a mesma autora de “O Conto da Aia”, que deu origem à série “The Handmaid’s Tale”), a série segue um dos casos mais famosos de assassinatos cometidos por mulheres no século 19: Grace Marks, uma imigrante irlandesa que passa por vários empregos como empregada doméstica no Canadá. A parte central da série se passa entre as décadas de 1840 e 1850 e seu recorte social está centrado na população pobre, que fornecia mão-de-obra doméstica, e na classe média em ascensão, que empregava esta mão-de-obra. Eu gosto muito dos figurinos dessa série porque eles são realistas: sem cores fortes e quilômetros de tafetá em crinolinas exageradas. As cores chegam a ser meio pálidas, refletindo a própria condição dos personagens. Assisti a primeira vez pela história e a segunda só para ver como os figurinos contam sua própria história.

4. The Age of Innocence (1993)

“Age of Innocence” (1993)

Um das poucas produções a ter a ousadia de trabalhar (e muito bem) com uma das silhuetas de transição mais complicadas e menos associadas à Era Vitoriana: o período da Forma Natural. O filme inteiro é extremamente teatral: a direção do Scorcese tem esse quê dramático, operístico, que fica evidente na trilha sonora, na movimentação da câmera, nos enquadramentos, nas cores… Aliás, a fotografia do filme é quase uma sucessão de pinturas!

5. Ligações Perigosas (1988)

Glenn Close rainha da p*** toda como a Marquesa de Merteuil

Eu duvido que haja um filme de século 18 com um figurino tão historicamente correto quanto “Ligações Perigosas”. A cena em que a Marquesa de Merteuil é vestida pelas criadas já dá o tom da seriedade da coisa: tudo é historicamente PERFEITO na cena, da roupa de baixo da Marquesa às roupas e acessórios das criadas. As perucas masculinas são primorosas e as cenas de powdering, com as máscaras esquisitas, são uma preciosidade que dificilmente se vê em filmes e séries. Detalhe: todo o figurino foi baseado em quadros ou peças existentes em museus e muitos tecidos foram estampados sob medida para o filme (e alguns deles foram reutilizados em “Maria Antonieta”).

6. Death Comes to Pemberley (2013)

A minissérie apresenta uma proposta de continuação do universo de “Orgulho e Preconceito”, mas com uma pegada mais policial. Não sou muito fã da história, mas: 1)sou apaixonada pela Anna Maxwell Martin, que interpreta a Lizzie Bennet! Ela é uma das melhores e mais versáteis atrizes do rol das produções de época da BBC; 2) Os figurinos tornam a série mais do que “tolerável”. Costuras nas posições corretas, cortes acertadíssimos, materiais e estampas, penteados, acessórios: tudo aqui está irrepreensivelmente no lugar em termos de confecção, o que até me faz perdoar a mistura de estilos de três décadas diferentes onde elas não deveriam existir. Tem outro detalhe que me torna mais inclinada à série: vários trajes tiveram as costuras de acabamento feitas à mão, o que é perfeito para uma série que já foi rodada em HD e numa época em nós, fãs de figurinos de época, nos tornamos cada vez mais exigentes nessa questão dos detalhes.

7. Moça com Brinco de Pérola (2003)

Poderia ser um quadro de Velásquez, mas são só os planos de uma das cenas <3

O filme é adaptação de um romance com o mesmo nome, que conta de modo ficcionalizado a história de uma das obras mais conhecidas de Jan Vermeer, por um acaso meu pintor barroco favorito. A atriz principal é a Scarlett Johannson bem em começo de carreira. As equipes de fotografia e de cenografia fizeram o dever de casa bem direitinho: tudo no filme faz referência à pintura barroca e renascentista holandesa. Temos enquadramentos com vários planos em perspectiva, composições incríveis com figurantes em ações do cotidiano (parecem quadros do Pieter Brughel!) e um desfile historicamente correto de indumentária holandesa do século 17 que vai dos criados mais humildes até a alta burguesia e nobreza. Tudo isso com uma imensa poesia de cores e sombras.

8. Victoria & Abdul (2017)

Apesar de ser um filme aclamado pelos fãs de dramas históricos, não parece ter tido lá grande impacto fora do nosso clubinho. Também pudera: ele é chato. Mas uma chatice totalmente intencional, à altura do que era a Corte Britânica no fim do reinado da eterna viúva, a Rainha Vitória. O clima soturno do eterno luto da rainha se reflete em tudo no figurino e na cenografia. Os trajes das damas são escuros e quase sem graça, mas de uma perfeição histórica de encher os olhos. Os trajes da rainha foram todos produzidos a partir de fotos e originais e a Dame Judi Dench termina de compor uma Vitória perfeita em todos os sentidos e totalmente diferente da imagem que o público tem dela. Prepare-se não só para figurinos incríveis, mas para desconstruir o mito em torno da Rainha Vitória e para algumas cenas inusitadas que rendem ótimas risadas.

9. A Duquesa (2008)

Esse filme é uma dobradinha de desgostos para mim: não gosto da Keira Knightley em papel de época e acho que o filme não faz jus à vida da personagem ou mesmo ao livro no qual é baseado. Mas os figurinos, minha santa deusa…OS FIGURINOS! “A Duquesa” está quase empatado com “Ligações Perigosas” no quesito acuracidade histórica dos trajes, porque tem umas cinturas fora de lugar ali ainda. Mas os chapéus e cabelos são de tirar o fôlego!

10. Amor & Tulipas (2016)

O filme recebeu críticas muito duras por ser “lento” e “chato”, mas aparentemente, em tempos de Reign e Wolf Hall, esse é o preço a se pagar por contar um drama histórico com o devido respeito. “Tulip Fever” se passa na Holanda por volta de 1630, no auge do barroco flamengo, e tem o figurino assinado pela mesma figurinista de “A Duquesa” e “Jane Eyre”.  Embora o romance todo possa parecer meio arrastado, prometo que os figurinos e cenários compensam enormemente!

MENÇÕES HONROSAS

“Jane Eyre” e “Downton Abbey”, que já são quase universalmente reconhecidos pela extrema qualidade histórica de seus figurinos.

Quais são os seus figurinos favoritos?

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