Portfólio

Portfólio: Um cupcake xadrez (1850s)

Cada vez que começo a arrumar as pastas do note, acabo encontrando alguma coisa que eu nem lembrava ou achava que estava perdida. Foi assim que (re)encontrei um traje xadrez 1850 que fiz em 2017 para o “Floripa em Versos”, que é um passeio guiado pelo centro de Florianópolis intercalado com a história e produção dos poetas locais.

Eu já tinha o traje da D. Joaquina todo montado, mas queria alguma coisa diferente para esse passeio e que passasse uma ideia mais “romântica”, já que o passeio envolvia tanta poesia do século 19. Mas eu não queria algo simplesmente rosa, o que seria muito óbvio, então acabei escolhendo um xadrez miúdo, do tipo que não era usado na Era Vitoriana, mas que funcionaria bem contra a paisagem. Minha inspiração foi o tecido desse vestido dos anos 1830:

Anacrônico? Sim. Eu me importei? Não.

Quando eu comecei a rascunhar esse traje, só duas coisas estavam certas: a cor e a silhueta, que precisava ser uma crinolina 1850. Foi só com o tecido em mãos que eu comecei a definir o que realmente seria feito. Acabei indo na combinação de saia e blusa no mesmo tecido, mas montadas como peças separadas.

A BLUSA

Eu queria um dos modelos mais leves que começam a aparecer nos anos 1850 e que vão digievoluir para a Blusa Garibaldi na década seguinte, como esse que está no MET:

Só que o museu não tem muitos detalhes da blusa além de um close do punho da manga:

A gente sabe pela experiência e pelas publicações da época que dificilmente um traje vitoriano era feito sem forro, até nas saias. Mas eu não fazia a mínima ideia de como era montado o forro desse tipo de blusa e, depois de fazer alguns testes sem sucesso, voltei pra prancheta. Comecei a pesquisar mais um pouco e encontrei essa peça original no blog All The Pretty Dresses, que tinha todas as informações visuais que eu precisava:

A frente aberta

 

Detalhe da manga e das pregas da frente

 

O forro!

 

E as costas

A partir da blusa verde risquei o molde do forro ajustado e, a partir dele, fiz o molde da blusa. Por pura preguiça eu não forrei as mangas, mas elas teriam um efeito bem melhor se eu tivesse forrado. Ignorem a cara horrível de quem passou parte da noite refazendo a barra da saia:

Prometo que fica melhor depois, hahahahhaaa

A parte externa (xadrez) fica assim, fechada com ganchinhos:

As fotos do traje são de antes da reforma da crinolina, então a saia ainda estava um pouco fora de proporção nessa época.

A SAIA

Um excelente motivo para fazer saias de crinolina da década de 1850 é que elas são basicamente retângulos franzidos ou pregueados na cintura. Por cima desse retângulo você pode jogar outras camadas e aplicações, mas a lógica de construção da base é rigorosamente a mesma.

Mesmo a crinolina de 1850, que parece redonda, é levemente empinada no bumbum. Esse efeito fica bem mais gracioso para caminhar do que uma crinolina perfeitamente redonda. Para conseguir isso, resolvi montar a cintura da saia de um jeito diferente. Na frente usei pregas facas, partindo das laterais para o centro da frente. Nas costas, usei um franzido bem miúdo, concentrando um pouco mais de tecido na parte de trás mesmo. Pena que não dá ver esses detalhes nas fotos, mas o efeito sim:

Não estranhe o comprimento da saia! As saias de passeio eram mais altas do chão assim mesmo.

 

E COMO FICOU O TRAJE COMPLETO?

 

 

 

COMENTÁRIOS

Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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