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Pauline Bonaparte, a Princesa do Prazer [RESENHA]

No Palácio Borghese, em Roma, há uma escultura em mármore conhecida como “Vênus Victrix” ou “Vênus Vencedora”.  Esculpida entre 1805 e 1808 pelo italiano Antonio Canova, é uma belíssima peça em mármore e uma verdadeira estrela dentro da imensa coleção de arte da família Borghese. Mas essa não é apenas mais uma estátua em estilo neoclássico: a mulher que serviu de modelo para a Vênus seminua foi ninguém menos que Pauline Bonaparte, irmã de Napoleão e Princesa Borghese por casamento.

Pauline (Paolina, na verdade, mas houve um afrancesamento) Bonaparte nasceu na Córsega em 1780, sendo a sexta filha do casal Bonaparte. Casou-se duas vezes, viveu no Haiti em meio a um levante de ex-escravos (seu marido, Charles Lecrerc, morreu num surto de febre na ilha) e protagonizou uma série de fofocas e escândalos na França e na Itália. Acabou entrando para a História não como a irmã mais próxima e devotada de Napoleão Bonaparte e única a visitá-lo durante o exílio em Elba, mas como uma mulher promíscua, que colecionava amantes de todas as classes sociais e sofria de doenças venéreas. A própria tradução do título do livro como “Princesa do Prazer” (“Venus of Empire: The Life of Pauline Bonaparte”) demonstra como a fama de predadora sexual da Princesa Borghese se manteve. Infelizmente, a principal forma de destruir publicamente uma mulher que se destacava sempre foi atacar a moral sexual dela – como não lembrar dos folhetos da Revolução Francesa que descreviam os “furores uterinos de Maria Antonieta”?

Em “Pauline Bonaparte: A Princesa do Prazer”, a biógrafa inglesa Flora Fraser se propõe a investigar o que há de verdadeiro em todas as aventuras sexuais atribuídas à irmãzinha de Napoleão. Estudando principalmente as cartas trocadas entre os membros da família Bonaparte e os diários de Laura Junot (um velho desafeto de Pauline e responsável por espalhar muitos rumores sobre ela!), Fraser desvenda a trajetória dessa mulher, tão profundamente ligada ao desenrolar da Revolução Francesa e das Guerras Napoleônicas com uma escrita muito gostosa, que flui bem e te deixa com vontade de não parar mais.

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Pauline Bonaparte em toda a sua glória após o casamento com Camilo Borghese, que lhe rendeu um título de princesa em 1808.

Confesso que fiquei completamente encantada com o livro. Passei tanto tempo procurando um personagem histórico com quem eu dividisse o nome que, no dia em que achei Mademoiselle Pauline, passei por um misto de euforia e certa vergonha, diante de todos os feitos nada convencionais dela. Quando achei esse livro, me atirei à leitura compulsiva durante três dias. Gostei bastante do modo como Fraser fez sua pesquisa em cartas e diários e como ela tomou o cuidado de “costurar” essas informações com contextos políticos e sociais mais amplos. Também gostei de como ela explorou as relações familiares e, particularmente nas cartas escritas por Napoleão à mãe ou aos irmãos, nota-se um tom de autoridade paternal por parte dele, especialmente quando ele aconselhava como seus irmãos deveriam se casar ou se comportar; a personalidade do estadista aparecia até mesmo em algo tão banal quanto uma carta de conselhos à irmã.

Para quem se interessa pela Era Napoleônica, é uma excelente leitura – e você pode baixar o livro gratuitamente clicando aqui!

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Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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