Moda

O guarda-roupas da Rainha Vitória

A Rainha Vitória governou o Reino Unido de 1837 a 1901 e seu reinado ficou conhecido como a Era Vitoriana. A imagem mais conhecida da Rainha é a de uma senhora sisuda, sempre vestida de preto, gulosa e mal-humorada. Mas a Rainha Vitória foi uma criança fofa e uma jovem mulher ligada nas tendências da moda da sua época, pelo menos até a morte do marido em 1861.

Alexandrina Victoria era filha do Duque de Kent, príncipe da Inglaterra, e sua esposa alemã que também se chamava Vitória. Com menos de um aninho ela já havia perdido o pai e o avô, que era o Rei da Inglaterra, o que a colocou diretamente na linha de sucessão. Criada sob a supervisão da mãe, a pequena princesa Vitória teve uma educação rígida e uma infância de poucas brincadeiras, o que talvez ajude a explicar como um delicado vestido de renda que ela usou aos 11 anos chegou até nós:

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Em 1835, aos 16 anos, Vitória já era a herdeira presumptiva do trono da Inglaterra. O rei Guilherme IV, seu tio, era o último filho vivo do falecido Jorge III. Com 70 anos e nenhum herdeiro legítimo (mas pelo menos 8 filhos bastardos!), já estava bem claro que o rei passaria o trono à sua jovem sobrinha. Naquele anos de 1835, a futura Rainha Vitória usou um vestido de baile em tartan, o xadrez escocês. O vestido de veludo é típico dos anos 1830s e até um pouco infantil com seus laços, um reflexo da superproteção que a Duquesa de Kent tinha sobre a filha:

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Esse vestido era provavelmente usado com uma combinação como essa da foto, feita em algodão e decorada com renda valenciennes. Esta peça em particular foi usada entre 1835 e 1840 e faz parte de um curioso conjunto de roupas íntimas da Rainha Vitória que terminaram em coleções particulares:

Guilherme IV morreu em 20 de junho de 1837. No mesmo dia, às 11h da manhã, a jovem Rainha Vitória enfrentou a primeira reunião com seu Conselho Privado e usou o primeiro dos vários vestidos de luto que usaria em sua vida. O vestido, agora bastante desbotado, revela uma silhueta bem diferente da senhora que estamos acostumados a ver nas fotos:

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Três anos após herdar o trono, a Rainha Vitória usou aquele que seria seu vestido mais famoso: seu legendário vestido de noiva:

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Vitória cuidava com muita atenção de sua imagem e isso incluía o planejamento de seus trajes. O Palácio de Kensington, onde ela foi criada, tem em seu acervo um livro de amostras de tecidos de diferentes trajes usados pela Rainha:

Quando jovem, uma das atividades favoritas da Rainha Vitória era cavalgar, uma coisa que ela não podia fazer durante a infância. Seus trajes de cavalgada seguiam o que era considerado fashion na época: elementos militares misturados com elementos femininos, muito veludo e lã:

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O mais luxuoso dos vestidos sobreviventes da Rainha Vitória é a fantasia que ela usou para um baile temático do século 17. Confeccionado em brocado com fios de ouro, o vestido é todo inspirado nos vestidos do Período Stuart e tem até uma réplica de renda do século 17, toda feita à mão por rendeiras irlandesas:

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No mesmo ano, a Rainha Vitória e o Príncipe Albert participaram da Grande Exposição ou Grande Exibição, uma feira pensada para apresentar ao público todo o tipo de inovações inglesas da época. O evento foi o primeiro de vários e inspirou feiras semelhantes em várias partes do mundo. Na abertura, a Rainha Vitória usou um vestido de seda e rendas fabricadas em Spitalfields, um distrito de Londres famoso desde o século 18 pela sua produção de tecidos:

Após a morte do Príncipe Albert, em 1861, a Rainha Vitória adotou vestidos que luto que a acompanhariam até o fim da vida e formaria a figura que nós mais conhecemos dela:

A ROUPA ÍNTIMA DA RAINHA VITÓRIA

Curiosamente, há um número bem significativo de roupas íntimas da rainha em coleções particulares. Estamos falando de meias, anáguas, luvas e até calçolas, como esse modelo que foi a leilão há alguns anos:

A Rainha Vitória tinha o hábito de presentear seus funcionários de maior confiança com peças de seu uso pessoal. Aparentemente, isso era um sinal de grande estima e muitas famílias guardaram essas peças por gerações. Recentemente elas começaram a reaparecer e ser doadas ou vendidas para os museus.

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Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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