Costura Histórica

Mini-desafio: OneHour Dress, o queridinho dos anos 1920

Em 1923, uma das professores de uma escola feminina de Nova York sacudiu as bases da indústria da moda lançando um molde que prometia revolucionar a vida de costureiras e fashionistas: o “OneHour Dress”, um vestido simples que poderia ser feito em casa em até uma hora. A princípio ninguém acreditava muito nisso, afinal parecia apenas um chamativo para vendas. Mas em 1924 uma demonstração pública do corte e montagem do vestido foi feita em impressionantes 34 minutos. A partir daí, o sucesso do OneHour Dress estaria garantido pelo resto da década.

MUDANÇAS DE SILHUETA

A passagem dos anos 1910 para os 1920 é uma das mudanças mais drásticas que temos na moda feminina. Saem os chapéus volumosos e cinturas bem marcadas, para dar lugar a uma silhueta mais reta e fluida, que refletia bem a estética art-déco, característica da época. Parte dessa mudança pode ser creditada aos efeitos da Primeira Guerra Mundial, que causou uma escassez de matérias-primas na Europa.

Nessa transformação de silhuetas, os vestidos se tornam mais leves e retos, além de encurtarem. Mas esqueça aquela imagem da melindrosa com um vestido na altura do joelho e cheio de franjas; isso é uma criação do cinema norte-americano. A maioria das mulheres ainda usava os vestidos abaixo do joelho, mas as mangas se tornaram mais curtas e reveladoras, às vezes se transformando em finas alças. Com os cabelos mais curtos, a nuca e as costas ficaram à mostra e se tornaram parte essencial da sensualidade feminina.

Esse é o tipo de silhueta e de vestido que as mulheres reais usavam.

ENTRE O LUXO E A ECONOMIA

Se nos Estados Unidos os anos 1920 foram de grande crescimento econômico e luxo, na Europa essa é a década da recuperação da Primeira Guerra Mundial. Para muitas famílias, as roupas eram uma questão onde a economia pesava muito e ter roupas práticas, que pudessem ser feitas em casa e com pouco consumo de material, era algo muito importante. Isso explica o sucesso estrondoso do OneHourDress: além de ser um molde simples, que exigia pouco conhecimento ou prática de costura, ele podia ser todo feito à máquina e era facilmente customizável.

O modelo básico podia servir tanto como um vestido para um passeio à tarde (feito em algodão, cetim, chiffon ou até com apliques de renda) como para uma saidinha noturna (feito em veludo, cetim ou tafetá). As possibilidades eram imensas, dependendo da habilidade, criatividade e recursos da costureira:

O molde praticamente não tem curvas, o que faz com que ele seja MUITO econômico e permita o reaproveitamento do tecido para detalhes como golas, bordados e faixas de quadril. Inclusive era comum que os retalhos fossem guardados e reaproveitados em outros modelos para criar detalhes contrastantes.

Variações do modelo não faltam: comprimento e abertura das mangas, formato da saia, com faixa de quadril, com pregas ou franzido na lateral, com rendas, bordados, aplicações metálicas e até com bolsos!

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Fazendo jus ao centenário dos anos 1920, resolvi dar uma chance para a silhueta flapper e costurar um vestido da época todinho a partir das instruções originais. O escolhido foi o OneHour Dress, com um livreto de molde e instruções original de 1924. Mas eu não estou sozinha nessa brincadeira! Apesar de pequena, a comunidade da costura histórica brasileira é bem, digamos, engajada nas mesmas doideiras e vai ter muita gente participando desse mini-desafio. Por isso a gente criou uma hashtag para você acompanhar as postagens no instagram: #onehourdressBR

 

COMO PARTICIPAR DO MINI-DESAFIO

Os livros com as instruções originais estão disponíveis na internet, em inglês. Se você prefere o livro físico, ele está à venda na Amazon e comprando através desse link você ajuda na manutenção no blog. Mas, se você se dá bem com a versão digital em pdf, pode comprar nessa loja do Etsy.

Este mini-desafio não tem um prazo fixo:

Não esqueça de me seguir no instagram, me marcar na sua foto e de postar com a hashtag #onehourdressBR

COMENTÁRIOS

Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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