Desafio de Costura Histórica 2021

Inspirações para Fevereiro: Silhueta | DESAFIO DE COSTURA HISTÓRICA 2021

Chegamos ao segundo mês do nosso Desafio de Costura Histórica e já foi uma bela jornada até aqui. Em janeiro tivemos muitas pessoas participando com projetos de diferentes períodos e, para não ser injusta com ninguém, hoje estou fazendo uma sequência de STORIES DE APRECIAÇÃO mostrando todos os projetos incríveis que saíram nesse mês.

Mas estamos em fevereiro e isso significa um novo tema para o desafio. Nesse mês o tema é Silhueta e você encontra projetos e inspirações através da hashtag #DCH2021FEVEREIRO.


Ao longo da história, os seres humanos tranformaram sua forma e silhueta com peças que tentavam diminuir ou aumentar partes específicas do corpo.  Poucos períodos da história parecem ter ficado satisfeitos com as formas naturais do corpo humano. Nesse desafio, a proposta é fazer uma peça que tenha participado da construção da forma ou silhueta de uma época específica. Seja algo que comprime o corpo (espartilhos, coletes estruturados, cintas e calcinhas modeladoras), sustenta o tronco (espartilhos, sutiãs, gibão), dá forma à cabeça (chapéus), sustenta saias (anquinhas, crinolinas, merinaques) ou dá formato específico a uma parte do corpo (enchimentos de quadril e de manga, enchimentos de pernas, codpieces).

Ao longo dos séculos nós já vimos as pessoas estenderem os formatos de suas cabeças com chapéus bem curiosos:

Livro de Horas de uma dama francesa não identificada, da região da Amiens. Produzido na década de 1480. Manuscrito Walters Ms. W.262, propriedade do Museu de Arte Henry Walter (Estados Unidos)
Livro de Horas de uma dama francesa não identificada, da região da Amiens. Produzido na década de 1480. Manuscrito Walters Ms. W.262, propriedade do Museu de Arte Henry Walter (Estados Unidos)

Tentamos dar uma forcinha para a natureza, ajudando a conter os fortes, sustentar os fracos e elevar os caídos com sutiãs e corsets:

“Sutiã” do século 15 (provavelmente 1480) encontrado no Castelo de Lengberg, na Alemanha. Há discussão se seria um tipo de corpete ou uma chemise com suporte para os seios. 

 

Corset da Regência (1800-1820s). Acervo do Museu Victoria& Albert.

 

“Bullet Bra’ de 1956 da Warners Bros, anunciado em uma revista feminina da época

Também tentamos modificar a parte de baixo do corpo com estruturas que permitiam exibir uma grande quantidade de tecidos nobres:

Merinaque/Farthingale, uma saia de aros inventada na Espanha. Aqui aparece num manuscrito catalão de 1470.

 

Paniers de Corte do século 18

Ou enfatizar certas partes específicas do corpo…

Sim, isso é um retrato italiano do século 15. Não, esse volume todo aí não era uma meia, mas uma peça específica chamada CODPIECE

Aliás, as roupas masculinas também tiveram seus momentos de volumes em lugares específicos, principalmente entre o século 16 e o 17.

Doublet (gibão) francês da década de 1620. Acervo do Museu Metropolitano de Nova York.

 

João da Áustria com seus gregüescos, esse calção curto e muito armado que os espanhois adoravam usar com meias bem coladas. 1572. E sim, tem um codpiece apontando ali também.

E já que o príncipe da Áustria apareceu aqui em toda a sua glória, cabe falarmos dos pescoços também. Afinal, tronco e membros inferiores não foram as únicas partes do corpo modificadas com os artifícios da moda.

No século 16, rufos de diferentes formatos eram usados nas golas por homens e mulheres, dando essa aparência de uma roda na volta do pescoço:

Juan Pantoja de la Cruz. Retratada e data são desconhecidos.

Os rufos voltam modificados, mas com uma boa força entre 1800 e 1820:

Lady Elgin (1804)

Na mesma época em que os cavalheiros elegantes da Regência pareciam obcecados em alongar o pescoço com cravats para deixar a silhueta mais vertical:

E apesar de ser uma sátira, essa charge registrou de forma meio exagerada algo que era usado entre os homens da Regência: padding ou enchimentos nas roupas. E isso nem mesmo era novidade: padding era algo feito tanto para estofar as roupas para modificar a silhueta quanto esquentar ou proteger o corpo.

Mas nem tudo era assim tão drástico ou extravagante. Em diferentes momentos, as mulheres usavam peças como enchimentos (bumpads, bumrolls, rumps), babados e anáguas para ajudar a dar o formato desejado aos trajes.

Peças como corset-covers e bust improvers dos anos 1900 eram as grandes responsáveis pela silhueta S característica da Era Eduardiana

PENSANDO FORA DA CAIXA

Para alguns períodos (Era Viking, Idade Média, Grécia Antiga) pode ser um pouco mais difícil encontrar peças como essas que eu mostrei, que acrescentam volume e modificam a forma do corpo de um jeito mais drástico. Por isso, eu gostaria de pensar em algumas possibilidades com você.

Cada época tem elementos que definem a silhueta ou a forma do traje daquele período.

Seja um smokkr viking:

Um kirtle do século 15, com o corpo ajustado e as inserções triangulares (nesgas/godets) que dão o formato característico da saia dos vestidos dessa época:

Considere com carinho também os formatos específicos de mangas e chapéus de diferentes períodos:

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SIMPLIFICANDO AS COISAS

Você não precisa fazer algo tão grande ou caro como uma crinolina ou um panier.  Algumas das peças mais subestimadas na costura histórica são as anáguas e a gente não faz nada sem elas! E nem toda anágua precisa ser uma coisinha branca lisa e sem graça. As de 1890, por exemplo, têm ótimos exemplos coloridos e a modelagem é tão simples que você pode usar como saia no dia-a-dia tranquilamente!

Bem básicas

E as almofadinhas (bumpads, bumrolls, bustle pads, rumps) são um ótimo projeto para você fazer com retalhos e já construir junto com a sua anágua, para criar uma silhueta mais próxima do formato da época e ver o seu traje DECOLAR!

DICAS DE RECURSOS

É só clicar nas imagens para acessar os artigos:

 

 

 

 

COMENTÁRIOS

Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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