Moda

Guia Rápido: Moda na Era Vitoriana

A Era Vitoriana é um período extenso, que vai da coroação (1837) à morte da Rainha Vitória (1901). Nesses anos todos, várias silhuetas femininas surgiram em diferentes momentos e falar de “moda vitoriana” é algo meio genérico. Quando falamos de moda vitoriana, lembramos de algumas características icônicas: os corsets, as saias armadas, camafeus, camisas com babados e rendas e chapéus do tipo bonnet são algumas delas. Para ajudar você a se localizar com relação a estilos e silhuetas, apresentamos um guia rápido e bastante visual para conhecer a moda vitoriana. E tem bônus: indicações de filmes e séries com ótimo trabalho de figurino para você se inspirar!

 

VITORIANO INICIAL / LATE ROMANTIC (1837-1850)

Nós começamos a Era Vitoriana no final dos anos 1830, com suas mangas com volumes em lugares peculiares, penteados extravagantes e saias que deixavam entrever o peito do pé. Na imagem você consegue ver também o formato super curioso dos bonnets da época, que escondiam o rosto da dama, e as saias, que começavam a ganhar um formato de um sino, mas ainda eram evasê:

Moda francesa em 1836

Nos anos 1840, a moda feminina se torna mais sóbria. A típica dama vitoriana desse período usava vestidos com o tronco alongado e quase tubular, mangas ajustadas ou com pouquíssimo volume. As saias ganharam o formato de uma cúpula ou domo, e eram franzidas na cintura com pregas muito pequenas. Bonnets, toucas rendadas e xales eram peças muito populares entre todas as classes sociais.

1842

Indicações de Filmes e Séries: “A Jovem Rainha Vitória, “Jane Eyre”, “Alias Grace”, “To Walk Invisible”.

 

2. VITORIANO MÉDIO (1850-1860)

É a Era das Crinolinas, uma das silhuetas mais marcantes e polêmicas da moda vitoriana. Graças à crinolina, as saias começaram a aumentar de volume e dispensar as várias camadas de anáguas, tornando-se mais leves e cada vez mais elaboradas:

Quer saber mais sobre a crinolina? Clique aqui para ler um artigo especial sobre ela 😉

A típica crinolina dos anos 1850 é quase que perfeitamente circular e usada com corpetes que eram, em sua maioria, pontudos. Ela aparece em 1855 e permite um aumento gradativo da circunferência das saias. As mangas pagoda, muito amplas e abertas para revelar delicadas mangas de tecido fino e renda, são outra marca do período, junto com as cinturas marcadas e ombros levemente caídos. Na metade da década, saias com váaaarias camadas de babados também se tornaram uma febre!

1855

Quer saber como é feita uma crinolina típica dos anos 1850? Nesse artigo eu falo um pouquinho sobre como fiz a minha.

Nos anos 1860, o volume da crinolina começa a ser deslocado para trás, criando uma silhueta elíptica que marca quase toda a década. Clique aqui para ler um artigo especial sobre os vestidos básicos de uma dama vitoriana em 1860.

1864

Indicações de filmes e séries: “Anna e o Rei”, “Norte e Sul” (baseada no romance de Elizabeth Gaskell), “A Mulher Invisível”, “12 Anos de Escravidão”, “Little Women” (filme de 1994), “Germinal”, “Lincoln” (um dos melhores trabalhos de reconstrução de figurino a partir de peças originais que eu já vi!).

 

3. PRIMEIRA ERA BUSTLE (1869-1876)

O caminho quase natural da crinolina elíptica foi se transformar na crinolette, o primeiro bustle ou anquinha traseira da moda vitoriana. Confira aqui um artigo especial com todos os detalhes da moda desse período.

Peça original dos anos 1870s!

Nos anos 1870, a crinolina vai perdendo seu volume frontal e mantendo apenas os volumes traseiros, com muitos babados e laços que criaram um estilo super feminino:

1872

 

1874

Mas que não durou muito tempo. Em 1876, as saias já estavam perdendo volume e dando lugar a uma nova silhueta, a Forma Natural.

Indicações de filmes e séries: “No Tempo da Inocência” tem um dos melhores trabalhos de figurino 1870 que eu já vi!, “The Crimson Petal and The White”, “The Paradise”

 

4. FORMA NATURAL (1877-1882)

Em 1877, as antigas armações metálicas deram lugar a almofadinhas discretas. As saias ficaram cada vez mais justas ao corpo até a altura dos joelhos, muitas vezes restringindo os movimentos da nossa perfeita e elegante dama vitoriana. Os corpetes ficaram mais longos, prologando-se sobre o quadril e às vezes até o meio da coxa, exigindo corsets cada vez mais apertados. Com drapeados complicados e muitas, muitas aplicações, a saia desse período quase sempre tinha algum tipo de cauda, mesmo que removível:

1878

No início da década de 1880, as saias ficam mais justas e simples, perdendo as caudas exceto nos vestidos formais:

1880

Quer saber mais? Confira aqui nosso artigo completo sobre a Era da Forma Natural

5. SEGUNDA ERA BUSTLE (1883-1890)

A partir de 1883, os volumes traseiros voltam com tudo Ao contrário da primeira Era Bustle, porém, as saias eram praticamente retas na frente e nos lados e com decorações mais discretas. Isso porque a armação da saia também mudou:

As sobressaias assimétricas, com corpetes ajustados com leves toques de alfaiataria, eram uma febre.

1885

Em 1887-1888, a anquinha/bustle atinge seu tamanho máximo:

Para que entre 1889 e 1890 comece a diminuir drasticamente, dando lugar a uma silhueta de saias muito mais sequinhas e clean.

Indicações de filmes e séries: “Dracula”, “No Tempo da Inocência”, “Victoria & Abdul”, “Do Inferno”, “O Ilusionista”, “O Grande Truque”

6. BELLE ÉPOQUE (1890-1901)

Os anos 1890 são conhecidos por duas coisas: as mangas enormes e a influência da alfaiataria. É nesse momento que a moda vitoriana sofre uma de suas alterações mais drásticas, refletindo mudanças no estilo de vida das mulheres. As saias perdem completamente os volumes traseiros e assumem um formato “A” bem aberto, com mangas cujos volumes e formatos variam bastante ao longo da década:

Em 1894, mangas e saias enormes eram a regra
Em 1898, com volumes menores, já anunciando a silhueta delicada dos anos 1890.

Indicações de filmes e séries: “The Alienist”, “Crimson Peak”, “Bel Ami” (o filme de 2012), “Tipping the Velvet”.

 

Você tem uma série ou filme com um figurino incrível para indicar? Conta pra gente nos comentários!

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Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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