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O enxoval da noiva vitoriana

Nós já falamos por aqui como o casamento era um negócio ainda mais sério na Era Vitoriana do que nos dias atuais. E, embora a Era Vitoriana tenha criado muitas tradições de casamento que sobrevivem nos dias de hoje, o enxoval da noiva não é uma delas. Embora aos poucos a tradição dos enxovais com toalhas e lençóis bordados pareça estar ressurgindo, a ideia de enxoval da noiva vitoriana era um pouquinho diferente.

“O Enxoval” (Charles Webster Hawthorne , 1910)

Nas famílias de alguma condição financeira (ou seja, que não eram extremamente pobres), o enxoval começava a ser preparado no final da infância das meninas e fazia parte da sua aprendizagem de trabalhos manuais; assim, quando nossa jovem noiva vitoriana chegasse ao altar, já seria uma dona-de-casa capaz de fazer todos os pequenos reparos necessários na roupa de corpo, cama, mesa e banho da família. Além dos itens de consumo da casa, esperava-se que a noiva trouxesse em seu enxoval peças de vestuário suficientes para, pelo menos, seu primeira ano de casada, quando vesti-la se tornava responsabilidade financeira do marido. Embora a noiva já levasse consigo suas peças de uso cotidiano, os jornais da época, brasileiros inclusive, trazem vários anúncios de lojas especializadas em montar enxovais de casamento sob medida e com grande rapidez. Muitos livros de costura e de etiqueta trazem um certo tom de censura ao fato de que muitas noivas endividavam suas famílias para, além da festa de casamento, custear um guarda-roupa novo completo para sua vida de casada!

É de um desses livros, “The Ladies’ and Gentlemen’s Etiquette“, republicado várias vezes desde 1852, que nós tiramos pequena lista de tudo o que deveria fazer parte do enxoval da nossa linda noiva vitoriana:

 

O enxoval de casamento

 

Doze chemises, sendo seis elaboradamente decoradas e seis simples;

Doze pares de drawers (N.T.: “calçolas”) feitas em conjunto com as chemises e combinando com as decorações delas;

Seis camisolas simples e seis camisolas decoradas;

Um exemplo de camisola de um enxoval de noiva americanos dos anos 1880.

Seis corset covers (N.T.: camisas finas, normalmente de alças, que cobriam o corset para que ele não marcasse na roupa), sendo três finamente bordadas;

Quatro corsets, sendo um branco bordado, dois brancos lisos e um de cor mais escura, usado para viagens;

Corset Cover dos anos 1890.

Uma dúzia de pares de meias em fio de fina qualidade, uma dúzia de pares em algodão pesado e outra dúzia em lã fina de merinó.

Seis saias decoradas e seis saias lisas;

Duas saias do tipo balmoral (N.T.: em xadrez escocês), uma decorada e outra lisa;

Seis anáguas de flanela, três delas ricamente bordadas;

Quatro dressing sacques (casacos de usar em casa) brancos, sendo dois deles em flanela;

Dois wrappers (o equivalente dos robes modernos) soltos, feitos em chita ou caxemira;

Seis conjuntos de colarinhos e punhos feitos em linho, para se usar com vestidos matutinos;

Seis conjuntos de colarinhos de renda ou bordados;

Colarinho de renda dos anos 1850

Uma dúzia de lenços simples, uma dúzia de lenços finos e seis lenços bordados ou decorados com passamanarias.

Botas de caminhada, polainas (N.T.: também chamadas de spats ou gaiters), sapatos e sapatilhas de várias cores e estilos;

Dois pares de luvas de pelica, duas luvas escuras e duas luvas claras;

Dos vestidos requeridos: vestidos matinais, vestidos de passeios, vestidos de jantar, vestidos de baile, vestidos de viagem, vestidos para usar em carruagens, um traje impermeabilizado e um vestido elegante especialmente para fazer as visitas nupciais após o retorno da lua-de-mel.

O livro não fala especificamente sobre as armações dos vestidos e chapéus, mas fica implícito que eles acompanhariam os trajes da noiva em sua nova vida.

Ficou em dúvida sobre como vestir sua noiva vitoriana de acordo com cada década? Dá uma olhadinha no nosso Guia Visual de Moda Vitoriana 😉

 

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Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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