Portfólio,  Traje Brasilis

Chemise a la Corote + 1º vlog histórico do canal

Quem acompanha o canal da maravilhosa Karolina Zebrowska viu que ela fez um collab com outra youtuber, a Rachel Maksy, e um desafio para criar roupas do século 18 inspiradas em drinks modernos e populares. A Karolina fez uma chemise a la reine temática da Coca-Cola e a Rachel Maksy, um Robe a la Française a la Starbucks!

Como algumas das meninas da equipe do Traje Brasilis são grandes fãs dos dois canais, resolvemos fazer uma versão bem brasileira desse desafio e criamos o #DrinkBrasilis em clima de Carnaval. Cada uma de nós escolheu uma bebida tipicamente brasileira e usou a identidade visual da bebida como ponto de partida para criar peças históricas inspiradas por ela. E o que eu escolhi? Uma garrafinha de Corote de baunilha com limão, que é praticamente um yakult alcoólico.

A INSPIRAÇÃO

Eu realmente acho a garrafinha do Corote muito charmosa, embora não seja fã da bebida em si. Nesse sabor, especificamente, a paleta de cores também me agrada, então a escolha ficou fácil:

Eu sabia que não usaria o vermelho e amarelo do detalhe no rótulo para não pegar as cores do traje de Ju Lopes, que seria inspirado numa garrafa de 51. Preferi me concentrar no azul dominante, na cor do drink em si e no detalhe dos frisos da garrafa… que me lembraram imediatamente as dobras da Chemise a la Reine! Foi quando eu fiquei feliz porque achei que não precisaria fazer o vestido, jurando que tinha uma chemise bege pronta em casa. Pois bem, eu não tinha e quase desisti de fazer o desafio por desânimo com meu vestido que se perdeu. Aí eu lembrei de tinha uns 10m de voile de cortina em casa, herança de um evento medieval de anos atrás, e com uma cor bem próxima desse tom do drink.

O problema do voile é que ele é MUITO transparente e escorregadio, então aquele tutorial de Chemise a la Reine que eu ensinei para vocês aqui não serviria para esse material. Eu precisaria ter um forro sólido e ajustado, a chemise franzida por cima e uma faixa de cintura azul, com o nome da bebida pintado. Fazer tudo isso era outra coisa.

O FORRO

A base do forro foi uma modelagem antiga, que guardei dos testes do Robe a l’Anglaise rosa do ano passado. Ela não tinha todos os recortes, mas encaixava certinho nas costas em cima do corset. Só precisei fazer alguns ajustes na frente porque eu emagreci um pouco desde os testes, mas nada que fosse um problema. Fiz a saia franzida normalmente, já considerando o uso de uma almofadinha de bumbum e quadril, e apliquei um barrado franzido de bordado inglês só pra ficar charmoso e dar um certo suporte ao vestido.

Gostei tanto do forro que estou considerando adaptar essa modelagem para um vestido moderno, mais curto e com zíper na lateral. Aqui ele ainda aparece sem os babados da barra e estou sem o corset:

DRAPEANDO A CHEMISE

No começo eu realmente achei que conseguiria controlar o voile para fazer a chemise pelo método das canaletas, mas logo na primeira tentativa eu desisti e tomei uma decisão drástica: eu iria modelar o voile direto em cima da base de algodão, fazendo todos os franzidos e pregas à mão. Acabei tendo que fazer as mangas pelo mesmo método e juro que uma parte de mim se arrependeu. Foi um trabalho cansativo, que me rendeu um início de tendinite na mão direita, mas o resultado compensou. Aqui ela ainda estava alinhavada:

Depois, com tudo costurado e finalizado, foi só testar com a faixa da cintura (que é um retângulo reforçado com buckram na área da barriga) e voilá, nasceu a Chemise a la Corote:

Obviamente quem pintou essa faixa não fui, mas o Sr. Modisto, que mais uma vez não se negou a ajudar em mais um plano infalível da esposa!

Um extra não planejado que acabou entrando nesse traje foi um chapéu bergère totalmente improvisado, com flores e fitas que eu já tinha em casa e um chapéu de palha genérico. Calma, que vai rolar um tutorial dele em breve 😉

Me sentindo uma camponesa

Como meu cabelo está muito curto para fazer um penteado decente, também separei um toucado branco bem genérico e lá fomos nós fazer ensaio fotográfico ao ar livre e em local público em plena terça-feira de Carnaval.

O ENSAIO

Quem fez as fotos e vídeos foi o meu irmão (que é fotógrafo de casamentos e vocês podem segui-lo lá no IG @maukisner), com o Sr. Modisto de assistente. Eles escolheram um local inusitado para as fotos: a Ponte Hercílio Luz, que foi reaberta ao público no final do ano passado. E gente, eu AMEI cada uma das fotos:

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Pausa para enaltecer essa equipe linda que topa fazer essas coisas comigo:

E O VLOG?

Eu ainda não tinha visitado a ponte depois da reabertura. Nosso ensaio foi tão tranquilo e seguro, e a ponte ficou tão linda, que nós resolvemos gravar um pequeno vlog contando um pouco da história dela e mostrando como ela está agora, depois da reforma.

COMENTÁRIOS

Historiadora, costureira e apaixonada pela história das coisas miúdas e aparentemente insignificantes. Alguém que acredita que a vida é muito curta para usar roupas comuns e que a moda é, sim, um espelho da história.

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